terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Acreditar: depende da intenção?

Duas semanas atrás escrevi neste blog sobre “o difícil exercício de acreditar”. Foi um ensaio sobre honestidade, verdade, crença e perdão. Como os leitores deste blog são na maioria amigos (só os amigos mesmo para terem tanta paciência...), conheço os “proprietários” dos comentários que foram deixados naquele post e agradeço muito a todos. Fizeram-me refletir sobre o ensaio inicial e buscar novas conclusões acerca de um tema tão controverso.

A primeira reflexão foi entre verdade, seja pura e simples ou inocente, e a intenção. O que temos de mais profundo em um gesto, uma palavra, um simples olhar ou até mesmo num beijo é a nossa intenção. Sim, acredito que certas vezes decidimos proferir inverdades com uma boa intenção detrás dela. Essa intenção pode ser proteção, como no caso do filme Benjamim Button, auto-preservação, inocência, medo, amor ou tantas outras que possam existir. O fato é que esta reflexão me levou a rever meu primeiro ensaio: quando descobrimos uma inverdade devemos, antes de mais nada, saber qual era a intenção por detrás dela. Pode ser que, sabendo a real intenção, não seja necessário nem “pregar um prego” tão pouco perdoar.

Claro, surge uma nova dúvida: como saber a qual era a real intenção? Acredito que não tem regra, não tem lei, não tem fórmula nem mágica. Se você descobre, você simplesmente sente. Utilizar a maiêutica para fazer as perguntas certas pode ajudar a chegar nesta camada mais profunda, da intenção, mas ainda assim só teremos certeza que chegamos quando sentirmos. É muito abstrato, eu sei, e se alguém tiver uma idéia diferente, por favor, compartilhe.

Outra reflexão foi a relação entre verdades e inverdades e a honestidade. Não acredito que uma pessoa possa ser determinada como honesta ou desonesta pela quantidade de verdades ou inverdades que ela profere. Tão pouco pelo tamanho da verdade (ou inverdade) dita. Uma pequena inverdade para uma pessoa pode significar o mundo para outra. Fazendo uma relação com a primeira reflexão poderia inferir que a honestidade (se é que nos cabe este julgamento) também é pautada pela intenção. 

Por fim percebi que nossas crenças são pautadas pela nossa história de vida. Muito do que somos hoje foi escrito nas diversas páginas de nossa vida. Assim como um diário que não se apaga com o tempo, nossas experiências, ilusões e desilusões ajudam a formar a visão que temos do mundo e das pessoas. Respeitar esta visão é respeitar nossa própria história. Refletir sobre nossa história e mudar nossa visão do mundo é melhorar, porém cada um no seu tempo, no seu espaço, no seu ritmo. 

Sem pressa, pois a vida é para ser apreciada e não engolida. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A responsabilidade de um líder

Tem um texto de um autor que admiro muito, Roberto Tranjan, que fala sobre a escolha de ser um líder. Durante o texto ele faz uma brincadeira que nos remete à nossa infância, resgatando em nossas memórias o que gostaríamos de ser quando crianças. Engenheiro, médico, dentista, bombeiro, advogado, e outras profissões não tão tradicionais quanto as citadas são, geralmente, as lembranças que vêem em nossa memória. Mas, por mais que perguntemos a muitas pessoas, ninguém se lembra de ter pensado quando era criança: Eu quero ser um líder! 

Alguns podem até imaginar: Mas líder não é uma profissão! Se não é? O que é? Uma função, um cargo, uma aptidão ou até mesmo um dom? Não, ser líder em minha opinião é uma escolha. Podemos ser líderes de uma empresa, de uma equipe, de uma família, do clube do futebol no final de semana, da comunidade em que vivemos, não importa. O que importa é que a liderança exige responsabilidade. 

E se você escolheu ser um líder, escolheu ter muita responsabilidade.
A responsabilidade é a obrigação de respondermos pelos nossos próprios atos e ela é fortemente baseada no livre-arbítrio. Se liderança é uma escolha e o livre-arbítrio é a possibilidade que temos de fazer nossas próprias escolhas fica fácil de entendermos porque a liderança nos traz responsabilidade.

Mas que tipo de responsabilidades a liderança pode nos trazer? São inúmeras. Poderia ficar dias e dias citando-as, mas compartilho algumas principais, em minha visão:
  • Estabelecer junto de seus liderados uma visão clara de futuro. Onde todos juntos (seja uma empresa, uma família ou uma comunidade) querem e pretendem chegar. E o que farão para atingir este futuro desejado. 
  • Enxergar as competências existentes em sua equipe e, principalmente, ter claro em sua mente quais as suas próprias limitações. Somente diante de suas limitações poderá escolher pessoas melhores do que ele para desenvolver atividades necessárias para a busca do futuro desejado.
  • Cuidar para que suas limitações pessoais não coloquem em risco o objetivo compartilhado com seus pares. O líder tem esta obrigação!
  • Estar atento para que sua equipe esteja unida e com foco no futuro desejado. Somente com foco e união dos envolvidos, através de ações consistentes, é que este futuro será alcançado.
Estas são minhas percepções iniciais sobre as responsabilidades de um líder. 
Alguém aumenta a lista?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O difícil exercício de acreditar

Dentre tantas coisas que aprendi ao longo da minha vida uma delas foi a crença indubitável nas pessoas. Acredito que todo ser humano merece ser visto como honesto e verdadeiro, até que prove o contrário. Alguns amigos já me falaram que esta crença é uma espécie de ingenuidade da minha parte, que eu deveria avaliar melhor as pessoas antes de acreditar nelas. Eu até entendo este ponto de vista, pois esse cuidado, esta avaliação preliminar, poderia me proteger de possíveis desilusões. Mas eu também correria o risco de, não conhecendo profundamente uma pessoa, pré julgá-la erroneamente e ficar com a consciência tranqüila pela égide de meus preconceitos, crenças e valores. Entre correr o risco de uma desilusão e correr o risco de um julgamento errado, escolho a desilusão, até porque tenho certeza que as pessoas praticam muito mais verdades do que não verdades.

Além disso, é importante afirmar que todos nós (todos mesmo, sem exceção) já cometemos atos de inverdade. Seja com nossos pais, amigos, familiares ou cônjuges, as vezes não falamos a verdade (ou não falamos alguma parte dela). Quando decidimos por inverdades, e não importa o tamanho dela, corremos o risco de sermos julgados se alguém nos descobrir e acredito que este julgamento será balizado pelo sentimento que despertamos na pessoa que nos descobre.

Certas inverdades passam despercebidas, sem nenhum sentimento ruim despertado ou nenhuma conseqüência desastrosa. São tão pequenas que as vezes até fazem bem para os relacionamentos. Outras são tão serias que podem abalar profundamente uma relação de confiança, seja ela de um dia, um mês ou anos. E em minha percepção, o estrago conseqüente de uma inverdade está nos olhos de quem descobre e não de quem a comete, pois somente o descobridor pode avaliar o tamanho da ferida que os sentimentos despertados pela descoberta causaram em seu mais profundo íntimo.

Mas para todo erro existe o perdão. Não vou abordar o tema perdão neste post, pois é mais uma extensa reflexão, mas me lembro de uma história que um amigo meu me ensinou:

"Sentimentos ruins que despertamos nas pessoas são como pregos pregados em uma árvore. Podemos até tirá-los de seu tronco, mas o furo permanecerá lá por muito tempo, até que esta árvore amadureça este sentimento a ponto de não sobrarem mais as marcas daquele prego."

E quando isso acontece? Só o tempo para responder!