sábado, 26 de setembro de 2009

Marmelada não era para ser doce?


Pouca vezes na minha vida senti vergonha de ser brasileiro. Em todas que senti foi muito ruim porque desde que sou muito pequeno me lembro de meus pais me ensinarem a seguinte ordem de importância das coisas: Deus, Pátria e Família. Seguindo esta lógica eu preciso acreditar em um Deus (seja ele qual for, mesmo que uma força maior), amar e cuidar da minha pátria para então poder constituir e cuidar de minha família.

Voltando ao tema central deste post, senti vergonha de ser brasileiro ao saber da “marmelada” na Fórmula 1. Sou apaixonado por esporte e amante passional de Fórmula 1. Assim como em qualquer tema de nossa vida acredito que no esporte precisamos de integridade e ética. Muitos falaram sobre a pressão que o Nelson estava sofrendo, que no lugar dele poderiam agir assim e que não deveríamos julgá-lo. Mas isso me parece proteção da imprensa só porque ele é brasileiro. Por muito menos “destruíram” o Schumacher (quando ele passou o Rubinho no último segundo da prova, por ordem da Ferrari).

Isso me faz pensar no problema central do Brasil: passividade. No Brasil temos o péssimo hábito de encontrar desculpas verdadeiras para falta de ética, de justiça e de caráter. E parece que neste episódio estamos fazendo isso de novo. Amanhã o fantástico vai veicular uma entrevista do Reginaldo Leme com o Nelson Piquet “pai”. Gostaria muito de acreditar que ele vai dizer, com todas as letras, que o filho errou e que merece pagar pelo erro. Porém tenho a impressão de que ele vai dizer que o filho errou, mas que era muita pressão para um “garoto” de 24 anos e que não sabia bem o que fazia. Bom, então ele não deveria estar dirigindo um carro que pode chegar a 300 km/h e colocar em risco a vida de mais 19 pilotos.

Para o Nelson “filho” desejo compaixão, porque infelizmente não acredito que ele vai aprender o que precisa, já que não vai pagar pelo seu erro.

Para o Nelson “pai” deixo uma pergunta: Porque este assunto só veio a tona depois que seu filho foi demitido da equipe?

Para os brasileiros que amam nossa pátria desejo consciência. E fé!


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sobre Competência e Atitude


Na Cadsoft trabalhamos muito o desenvolvimento das competências das pessoas. Isso faz parte da nossa cultura. Este desenvolvimento se dá através de varias formas, mas o balizador para avaliação da evolução de cada pessoa é uma metodologia chamada CHA. Esta metodologia define que a competência é formada por três conceitos: Conhecimentos, Habilidades e Atitudes. Conhecimento significa “Saber” (conhecimentos adquiridos no decorrer da vida, nas escolas, universidades, cursos etc). Habilidade significa “Saber fazer” (todo o conhecimento que praticamos aperfeiçoado à habilidade). Atitude significa “Querer fazer” (comportamentos que temos diante de situações do nosso cotidiano e das tarefas que desenvolvemos no nosso dia-a-dia). Desta forma, uma pessoa com muito conhecimento mas sem a atitude necessária para colocar este conhecimento em prática, ou sem a habilidade necessária para utilizar este conhecimento, não tem a competência completa.

Um tempo atrás estava conversando com o Prof. Calixto (meu pai) sobre esta metodologia. Falávamos sobre o que era mais importante entre as três letras (C.H.A.). Estávamos com uma divergência sobre o assunto e acabamos não terminando nossa conversa e com isso não chegamos a uma conclusão.

Semana passada recebi da Marina (amiga e colaboradora da Cadsoft ) um artigo muito interessante com o seguinte título: “The hierarchy of success – A hierarquia do Sucesso”. Neste artigo o autor inicia a explicação do ultimo nível da hierarquia (execução) até o primeiro nível (atitude). A idéia é muito interessante e, após muita reflexão, experiências vividas e leituras de textos, livros e blogs, cheguei a conclusão que a atitude é, em minha opinião, a letra mais importante. A atitude possibilita o ser humano a ir atrás dos conhecimentos e das habilidades que lhe faltam para atingir um objetivo.

Ponto para o Prof. Calixto (mais um, claro) que desde o início da nossa conversa defendeu que a atitude era a mais importante das letras!

Para finalizar compartilho uma citação de Martin Luther King que entendo ser sobre a evolução de competência: “..não somos o que deveríamos ser, não somos o que iremos ser, mas graças a Deus não somos o que éramos.."

Boa semana e “Boas Atitudes”!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Inteligência e Maturidade

Há algumas semanas eu estava conversando com o Alexandre da Cadsoft, amigo e líder do processo de trabalho que chamamos de “Descobrir e Conquistar”. Estávamos discutindo sobre inteligência e maturidade. Como é bom trabalhar com pessoas inteligentes, mesmo que ainda imaturas. Imaturidade neste contexto estava esta relacionada principalmente com a falta de experiência. Falávamos que é melhor ter pessoas muito inteligentes e imaturas do que pessoas maduras mas que não fazem o uso adequado de suas inteligências para solucionar todos os “problemas” que precisamos administrar diariamente.

Esse papo me fez lembrar uma lição que tive, há uns 5 anos atrás, quando estava em uma reunião com o gerente de planejamento de um cliente que atendo em São Paulo. Nós estávamos conversando sobre a dificuldade que estávamos tendo em um projeto e um dos motivos que eu apontei foi a velocidade (muito acelerada) que uma das pessoas que estava a frente do projeto impunha para toda a equipe. E ele me disse, com toda a tranqüilidade que lhe era peculiar: “Daniel, eu prefiro trabalhar com pessoas que eu precise segurar do que com pessoas que eu precise empurrar”. Engoli seco, refleti, dei razão a ele e fomos para o próximo tópico da reunião.

Voltando ao papo com o Alexandre, concluímos que realmente a lição acima é valiosa. Como é bom trabalhar com pessoas inteligentes e que temos que segurar (ajudar a controlar o ímpeto que ainda não é administrado pela falta de experiência) do que pessoas que temos que ficar o tempo todo empurrando.

A nossa conclusão final foi sobre a importância de escolher adequadamente as pessoas e suas inteligências necessárias para desempenhar cada atividade da nossa empresa.


terça-feira, 1 de setembro de 2009

Indicadores são para aprendizado e não para controle

Tem uma máxima que diz: “Nós fazemos aquilo que medimos”. Infelizmente nos últimos meses tenho constatado que esta frase tem muito sentido. Fazendo uma reflexão nos motivos desta triste realidade, cheguei às seguintes possibilidades:
1. É da natureza humana
2. É falta de disciplina
3. É falta de compromisso ou significado
4. É sobrecarga 

Aceitar a primeira hipótese é muito cômodo. Não tenho certeza da quarta hipótese pois se estivermos medindo tudo que fazemos, tenho convicção que faremos. Resta a questão da disciplina e do compromisso.

Disciplina é o controle que vem de dentro (é o autocontrole) e ao utilizar indicadores externos para substituir este controle que deveria vir “de dentro”, estamos delegando nosso destino ao “outro”.

Compromisso é difícil de ser medido, mas é fácil de ser percebido. Se é necessário um indicador para saber se algo esta sendo feito é porque as pessoas não deram a devida importância para aquela atividade. Pode ser falta de significado? Até pode, mas não consigo entender uma pessoa comprometida com algo que não busque saber o significado do que ela faz. Logo, se tenho compromisso, procuro saber o significado do que eu faço.

Indicadores são para aprendizado, para correção de rotas, para melhoria continua de processos. 

Mas, infelizmente, por algum dos motivos acima (ou outros que não consegui pensar) acabam sendo usados como controle.

Uma pena!