sábado, 22 de novembro de 2008

A verdadeira felicidade

No último “post” eu escrevi um pouco sobre os tempos Chronos e Kairós. Para explorar um pouco mais sobre o assunto, vou escrever sobre o que entendo por felicidade. Tenho conversado com vários amigos nos últimos dois anos sobre definição de felicidade. Claro que nestas discussões várias versões, idéias, concepções e vivencias surgiram, e todas com muita riqueza principalmente de sentimentos e valores. Porém, pude perceber que a maioria das pessoas entende a felicidade como “momentos”, e de acordo com o último post, poderia deduzir que, para a maioria, felicidade é um momento Kairós. Diante disto, fica claro que as pessoas “estão” felizes em determinados momentos que são invadidas por sentimentos de prazer, alegria, satisfação , reconhecimento e outros tantos. Porém, diante de uma situação que os leva a tristeza, chateação, descontentamento, entendem que não “estão” felizes. Ou seja, felicidade é “estar”.

Depois de tanto conversar, de tanto ler sobre o assunto e de tanto refletir, cheguei a uma conclusão que compartilho com vocês: A felicidade é “ser” e não “estar”. Mas e os momentos de tristeza? A verdadeira felicidade, a felicidade plena, em minha concepção, é formada por momentos únicos, inesquecíveis (kairós), por momentos bons e também por momentos não tão bons. A nossa vida é assim! Sabemos que um dia nossos pais vão morrer, pois é a ordem natural, sabemos que um dia vamos brigar com o nosso cônjuge, pois é dinâmica dos relacionamentos e sabemos que um dia vamos ficar doentes, pois ninguém é de ferro. Situações como estas fazem parte da verdadeira felicidade, pois são parte do fluxo natural da vida. E se queremos viver este fluxo, temos que “ser” felizes, contemplando todos os momentos e tentando tirar o melhor de cada oportunidade vivida.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Tempo Chronos e Kairós : Quantidade ou Qualidade?

Passei esta semana em BH, na sede da Cadsoft. Na quinta-feira fui almoçar com a Patricia, que trabalha no Sustentar da nossa empresa e, entre várias coisas, conversamos sobre relacionamentos humanos e o tempo que dedicamos a cada um deles. Quanto tempo dedico a meu cônjuge, aos meus pais, aos meus amigos, a pessoas desconhecidas, a clientes, afilhados, sobrinhos, primos, e tantos outros? A principal conclusão que chegamos é que algumas pessoas precisam de quantidade de tempo e outras de qualidade de tempo. Desta conclusão acabei me lembrando de um conceito que aprendi no passado: O Tempo Chronos e o tempo Kairós.
Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: Chronos e Kairós. Enquanto o Chronos refere-se ao tempo cronológico, ou seqüencial, Kairós é um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece. Kairós, na teologia, descreve a forma qualitativa do tempo, o "tempo de Deus", enquanto chronos é de natureza quantitativa, o "tempo dos homens". Em síntese pode-se dizer que o tempo humano (medido) é descrito em horas e suas divisões (dias, semanas, anos), enquanto que Kairós descreve "o tempo de Deus", que não pode ser medido e sim vivido.
Independente de crença religiosa, enxergo Kairós como um tempo divino, especial, único, insubstituível e principalmente, que não depende de quantidade e sim de qualidade. Em cada relação que estabeleço em meu dia a dia procuro viver momentos Kairós, intensos, reais e inteiros. Procuro dedicar o máximo de atenção para aquela pessoa que estou me relacionando, para que ao final daquele momento, ambos possam sentir que aquele “tempo” realmente “valeu a pena”.
Relações baseadas em tempo Kairós são duradouras, marcantes, inesquecíveis e te deixam sempre com vontade de repeti-las. Por isso faço o convite a todos para que vivam relações baseadas em tempo Kairós e deixem o tempo Chronos para a Formula 1!

sábado, 8 de novembro de 2008

A Gestão Empresarial e Machu Picchu

Essa semana eu e o Glauson fomos visitar um cliente que estávamos um pouco afastados. É um centro universitário promissor, com uma estrutura muito sólida e um planejamento que nos pareceu bem consistente. Tínhamos vários objetivos com esta visita, desde a reaproximação, passando por um diagnóstico situacional e chegando, principalmente ao alinhamento com as lideranças da instituição de qual era o nível de utilização e satisfação dos nossos serviços e produtos dentro do Centro Universitário. O papo inicial foi com um dos líderes da IES (Instituição de Ensino Superior) e tivemos uma grata surpresa ao detectar, pelas próprias palavras deste líder, de sua visão estratégica, que a situação era muito boa. A utilização dos nossos produtos e serviços era de pelo menos 80% e que estavam todos muito satisfeitos. A princípio, eu e o Glauson estranhamos este posicionamento, pois não era o que ouvíamos dentro da nossa empresa e nem era a percepção dos nossos colaboradores. Mas, para ter certeza do que estava havendo, marcamos uma reunião com todos os colaboradores desta IES que utilizam nossos produtos e serviços, para captar a percepção deles. Como esperado, eles não estavam tão satisfeitos assim. Muitas dificuldades na operação do sistema, desconhecimento das regras, dos processos e principalmente falta de treinamento. Feito o diagnóstico, voltamos a falar com a liderança da IES, para expor esta nova perspectiva, vista do nível operacional, e não mais do nível estratégico.
Ao sair deste segundo papo com a liderança, com o alinhamento das percepções, comecei a refletir sobre o que havia ocorrido e me lembrei da viagem que havia feito a Machu Picchu. Quando estive no Peru, passei dois dias no povoado de Águas Calientes, que dá acesso a cidade de Machu Picchu. Ao chegar em Machu Picchu, pude avaliar cada detalhe, cada pedra, cada casa, cada parede, cada jardim, tudo construído pelos Incas. Atrás da cidade de  Machu Picchu existe uma montanha chamada Waynapicchu (aquela que sempre vemos nas fotos de divulgação, que fica ao fundo de Machu Picchu), que também possui construções Incas. A cidade de Machu Picchu está a uma altura de aproximadamente 2.400 metros de altitude e Waynapicchu está a 2700 metros. No segundo dia de visita, decidi subir nesta montanha, para avaliar a cidade de Machu Picchu de outra perspectiva. A caminhada ao pico da montanha levou cerca de 90 minutos. A cada 10 minutos que subia, parava para ter uma nova visão da cidade de Machu Picchu, vista de cima. E a cada parada, a cidade ficava mais longe, eu via menos os detalhes das paredes, das pedras e dos jardins, porém, ela ficava cada vez mais bela. Ao chegar ao pico da montanha, a quase 300 metros de altura em relação a Machu Picchu, a visão foi magnífica. A cidade parecia um pássaro, de asas abertas, pronto para o vôo. Porém, não conseguia mais ver os detalhes que tinham ficado para trás.
Unindo estas duas experiências, pude perceber que, quanto mais longe estamos ao observar um objeto, um processo, ou até mesmo uma operação empresarial, menos detalhes podemos perceber, e isso nos leva, em alguns casos, à falsa impressão de que tudo pode estar magnífico.