sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O limiar entre a Humildade e Hipocrisia

Essa semana estava conversando com alguns amigos da Cadsoft, Alysson, Alexandre e Miron. Numa conversa paralela com o Alysson fiz uma brincadeira dizendo que ele era realmente um cara humilde. O Miron ouviu a brincadeira e disse: O Alysson humilde? Não ele é hipócrita. E todos começaram a rir da piada.  Mas logo após os risos, começamos a discutir a diferença entre humildade e hipocrisia, porém, sem chegar num consenso.

Depois deste bate papo fiquei pensando muito sobre esta diferença. Já escrevi sobre hipocrisia neste blog, em outubro do ano passado. Naquele post defini a hipocrisia como um desalinhamento entre aquilo que pensamos e sentimos daquilo que fazemos e mostramos ao mundo. Na wikipedia hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. Evoluindo um pouco mais, é como se NÃO vivêssemos o que realmente somos.  Pesquisando sobre humildade descobri que é a qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre outras pessoas nem se mostrar superior a elas. Aquele que se vangloria da sua humildade, mostra simplesmente que não a tem. A humildade no senso comum é entendida como uma virtude e, logo, se hipocrisia é o ato de fingir ter uma determinada virtude que não se tem podemos inferir que, aquele que tenta se mostrar humilde pode acabar sendo interpretado como hipócrita.

Apenas para não deixar dúvidas, o Alysson não foi nem humilde nem hipócrita, porque nós o “rotulamos” naquele momento, pela brincadeira.

Mas e se fosse verdade? Como discernir entre um ato de humildade ou de hipocrisia?  Não tenho essa resposta, mas gostaria de compartilhar o que penso sobre isso. Talvez seja difícil entender se uma pessoa esta sendo hipócrita ou humilde (em outras palavras, se ela esta sendo real ou se esta se mostrando diferente do que é) num primeiro contato porque não a conhecemos. Se tentarmos discernir à primeira impressão corremos o risco de sermos preconceituosos (ver o post do dia 12/01/2009) e até injustos. Mas se a convivência se torna mais freqüente podemos facilmente observar alguns pontos discrepantes entre o discurso e a atitude. Somos aquilo que fazemos e não aquilo que falamos. Claro que nossas atitudes nem sempre refletem nossa intenção (e isso é assunto pra outro post) e também não podemos julgar alguém um hipócrita apenas por uma atitude isolada, por isso a importância da freqüência e da convivência.

Por fim, antes de concluir que uma pessoa é hipócrita, livre-se de seus preconceitos, conheça de verdade esta pessoa, atente-se às suas atitudes e não deixe de enxergar que por detrás delas pode ter uma intenção mal interpretada.

Alguma outra idéia?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ensaio sobre o Preconceito e a Tolerância

Inicio a temporada de 2009 com um texto sobre Preconceito e Tolerância. Por ser um assunto extenso e complexo, chamei o post de “ensaio”. Acredito que, como seres humanos somos suscetíveis a erros, e por isso todos nós temos alguns preconceitos. Os preconceitos, em minha visão, podem ter várias origens e destaco aqui as que acredito terem maior relevância:
  • Nossa educação, formal e informal (na escola, em casa, na igreja)
  • Enraizadas em nossa sociedade e em nossa cultura (pátria, comunidade, “tribos”)
  • Experiências que vivemos ao longo da nossa vida
  • E também, por medo!
Nestas férias passei por algumas situações em que fui confrontado com alguns preconceitos que possuo e decidi me aprofundar na raiz destes preconceitos. Como acredito que vivemos para contribuir e evoluir, não aceitei as duas primeiras origens, educação e cultura, como causa de meus preconceitos, e busquei classificá-los nas duas últimas origens: Experiências e Medo. O interessante foi que, quanto mais me aprofundava em minhas reflexões, mais eu percebia que quase não havia vivenciado experiências relacionadas aos meus preconceitos, logo, sobrava-me apenas o medo.  

Diante disto percebi que podemos exercer, inconscientemente, um ciclo muito perigoso: Em geral, temos medo daquilo que não conhecemos. Se não conhecemos, pressupomos. Pressuposições erradas nos levam a uma realidade distorcida e por fim, a realidade distorcida nos desperta o preconceito. Conclui que meus preconceitos, em sua maioria, tinham raiz no medo e decidi confrontá-los através da tolerância.

Encaro a tolerância como a capacidade do ser humano de entender, respeitar e conviver com escolhas, atitudes e formas de expressão diversas que existem em nosso mundo. Não me obrigo a participar ou gostar de toda esta diversidade, mas não devo hostilizar, denegrir ou tão pouco satirizar qualquer escolha, atitude ou forma de expressão. 

Inicio o ano de 2009 mais tolerante, pois é através da tolerância que podemos nos dar a chance de entender e respeitar a todos em nossa volta, enfrentando e vencendo nossos medos e preconceitos.