Essa semana estava conversando com alguns amigos da Cadsoft, Alysson, Alexandre e Miron. Numa conversa paralela com o Alysson fiz uma brincadeira dizendo que ele era realmente um cara humilde. O Miron ouviu a brincadeira e disse: O Alysson humilde? Não ele é hipócrita. E todos começaram a rir da piada. Mas logo após os risos, começamos a discutir a diferença entre humildade e hipocrisia, porém, sem chegar num consenso.
Depois deste bate papo fiquei pensando muito sobre esta diferença. Já escrevi sobre hipocrisia neste blog, em outubro do ano passado. Naquele post defini a hipocrisia como um desalinhamento entre aquilo que pensamos e sentimos daquilo que fazemos e mostramos ao mundo. Na wikipedia hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. Evoluindo um pouco mais, é como se NÃO vivêssemos o que realmente somos. Pesquisando sobre humildade descobri que é a qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre outras pessoas nem se mostrar superior a elas. Aquele que se vangloria da sua humildade, mostra simplesmente que não a tem. A humildade no senso comum é entendida como uma virtude e, logo, se hipocrisia é o ato de fingir ter uma determinada virtude que não se tem podemos inferir que, aquele que tenta se mostrar humilde pode acabar sendo interpretado como hipócrita.
Apenas para não deixar dúvidas, o Alysson não foi nem humilde nem hipócrita, porque nós o “rotulamos” naquele momento, pela brincadeira.
Mas e se fosse verdade? Como discernir entre um ato de humildade ou de hipocrisia? Não tenho essa resposta, mas gostaria de compartilhar o que penso sobre isso. Talvez seja difícil entender se uma pessoa esta sendo hipócrita ou humilde (em outras palavras, se ela esta sendo real ou se esta se mostrando diferente do que é) num primeiro contato porque não a conhecemos. Se tentarmos discernir à primeira impressão corremos o risco de sermos preconceituosos (ver o post do dia 12/01/2009) e até injustos. Mas se a convivência se torna mais freqüente podemos facilmente observar alguns pontos discrepantes entre o discurso e a atitude. Somos aquilo que fazemos e não aquilo que falamos. Claro que nossas atitudes nem sempre refletem nossa intenção (e isso é assunto pra outro post) e também não podemos julgar alguém um hipócrita apenas por uma atitude isolada, por isso a importância da freqüência e da convivência.
Por fim, antes de concluir que uma pessoa é hipócrita, livre-se de seus preconceitos, conheça de verdade esta pessoa, atente-se às suas atitudes e não deixe de enxergar que por detrás delas pode ter uma intenção mal interpretada.
Alguma outra idéia?
