sábado, 23 de maio de 2009

Liderança :: Cargo ou Postura?

Em nossa vida lidamos diariamente com o aspecto da liderança. Certas vezes desempenhamos o papel de líder e outras vezes de liderados, depende do ambiente e do momento em que estamos. Podemos ser liderados em nossa empresa, mas lideres em nossa família. Ou líder em nossa comunidade, mas liderado no time de futebol, ou até mesmo no grupo de trabalho da escola, da faculdade ou da pós. 

Mas, afinal, a liderança é um cargo ou uma é postura?

Em minha experiência pessoal posso afirmar que liderança é postura, advinda do comportamento das pessoas. De nada adianta eu ter um cargo senão tiver a postura de um líder. Uma pessoa somente será um líder se for respeitada como tal. Mas já nascemos com esta habilidade de sermos respeitados como líderes? Acredito que algumas pessoas nascem com esta habilidade mais aflorada, outras nem tanto. Mas qualquer pessoa pode desenvolvê-la e se tornar um líder muito reconhecido.

Gostaria de relatar duas experiências que ajudaram a moldaram o pensamento que aqui expresso.

Quando fiz meu primeiro estágio, ha muitos anos atrás, trabalhava dentro do “CPD” de uma grande empresa. Num certo dia houve uma queda de energia. Como nem sempre estamos preparados para estas situações, o no-break não segurou a carga dos equipamentos ligados a ele e o “computador central”, que era um grande mainframe, desligou. Não preciso nem dizer a pressão que foi em cima do diretor de TI que, 3 minutos depois da queda de energia entrou em nossa sala desesperado sem saber exatamente o que fazer.  Ao vê-lo desta forma, um dos programadores se levantou, pegou o celular, ligou para alguém da elétrica, separou o multímetro e a chave de fenda e quando o eletricista chegou, o acompanhou até o banco de baterias do no-break para avaliar o que estava acontecendo. Mais 10 minutos e o mainframe estava ligando. Quem foi o líder nesta situação? O que tinha o cargo ou o que teve a postura?

Certa vez, no inicio da minha carreira, fui convidado pelo meu líder a assumir a posição de liderança intermediaria de uma equipe, da qual eu fazia parte naquele momento. Além de expressar minha alegria por aquele convite, falei para ele: “E como você vai fazer para avisar a todos? Vai enviar um email para eles?” E ele me respondeu: “Não, você terá que conquistar o respeito de todos eles, para daí sim se tornar um verdadeiro líder. Liderança é conquistada, não imposta.” 

Nunca vou esquecer essa lição.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Só funcionamos no chicote?


Semana passada eu estava em BH, a bela capital mineira, no hotel que costumo me hospedar. Era por volta de 19h e resolvi ir até a farmácia a pé, para apreciar a noite. A certa altura da minha caminhada me vi no cruzamento entre a Av. Amazonas (para quem não conhece, umas das principais avenidas de BH, que liga o centro da cidade até a saída para a Fernão Dias, rodovia que liga a cidade à capital paulista) e a R. Aimorés. Era um horário de transito pesado, como de costume nas grandes capitais, e o movimento era 
intenso. Porém, o que me chamou a atenção foi o fato das pessoas não respeitarem o cruzamento. Ao fechar o semáforo de quem estava na R. Aimorés, vários carros ficaram parados em cima da faixa de pedestres e tantos outros ficaram no meio da Av. Amazonas, travando o transito de quem, por direito (já que o semáforo havia ficado verde) deveria transitar por esta avenida sem grandes dificuldades. Claro, sem falar na orquestra ensurdecedora (e desafinada) promovida pelas mãos aflitas de diversos motoristas ao apertarem as buzinas de seus carros.

Estou acostumado a ver este tipo de situação, principalmente em São Paulo, mas naquele dia aquilo me incomodou muito: peguei o celular e registrei a cena através de uma foto. Continuei a minha caminhada até a farmácia

Quando estava retornando, 15 minutos depois, decidi seguir o mesmo caminho para verificar como estava o “caos” naquele mesmo cruzamento. Quase não acreditei quando constatei que não havia mais o “caos”. Os pedestres haviam readquirido seu direito de atravessar na faixa, as buzinas haviam cessado e não existia mais nenhum carro travando o cruzamento. Parei para avaliar a cena e então ouvi, um pouco abafado pelo som dos motores dos carros, um apito, como o de um juiz de futebol. Sim, era ele: o temido guarda de transito (temido pelas multas que aplica, claro). Em São Paulo chamamos ele de “marronzinho” por causa do uniforme da SPTrans. Em BH não sei como são denominados, mas tive certeza que são, da mesma forma, respeitados e temidos. Novamente peguei o celular e registrei a cena, porém, desta vez, mais incomodado ainda.

Continuei minha caminhada de volta ao hotel tentando aplicar aquele exemplo ao dia a dia de nossas empresas. Será que, da mesma forma que no trânsito somente funcionamos adequadamente com a presença de um guarda, em nossas empresas somente funcionamos com a presença dos “supervisores” (ou seriam os capatazes)? Logo me lembrei de quantas empresas mantém pessoas em seu quadro que tem como objetivo garantir que outras pessoas estejam trabalhando (alguma semelhança com o algoz de Chaplin em “Tempos Modernos” é somente coincidência...).

É assim mesmo que tem que ser? Precisamos de alguém supervisionando o que estamos fazendo para fazermos certo? Será que, como líderes, ao encorajar esta figura (do guarda, supervisor ou capataz) estamos agindo da maneira correta?

Pessoalmente, como líder, prefiro investir na expansão da consciência do que na supervisão das pessoas.



sábado, 2 de maio de 2009

Cuida de mim, não da minha vida

Hoje em dia muito tem se falado sobre o papel e as responsabilidades de um líder. James Hunter iniciou este novo ciclo de papeis de liderança com o livro “O monge e o executivo”. Já falei neste blog sobre o livro do Pe. Zezinho que escreveu um livro chamado “O Líder Amoroso” e conheço de perto a obra do Roberto Tranjan que acredita no papel do Líder como educador de pessoas. Todas estas características, e outras que são estudadas e seguem a linha humanista, têm seus valores e ideais relacionados à celebração do ser humano. É o oposto da linha industrial, onde o homem é visto e tratado como meio para algum fim. Com esta nova visão as preocupações, o olhar e os cuidados do líder passam a ser mais focados nas pessoas do que nas “coisas”. E como poderia ser diferente?


O termo cuidar nos remete a várias imagens e uma delas, que sempre transita em minha mente, é a imagem do interesse. Quando cuidamos de alguém é porque temos um real interesse naquela pessoa. Nos importamos com o que acontece com ela, nos importamos com seu bem estar, com sua felicidade, com sua tristeza e sempre que podemos estendemos a mão para ajudá-la. Se eu pudesse “juntaria” as intenções por trás das obras que citei acima e falaria do “Líder Cuidador”, pois ele serve, ama e educa.

Mas existe uma linha muito tênue, que esta ligada ao titulo deste post, que separa o “cuidar da pessoa” com o “cuidar da vida da pessoa”. E creio que muitas vezes caímos nesta armadilha. Como já disse antes, cuidar de pessoas é despertar por elas um interesse real, com uma boa intenção, com altruísmo e pensando apenas no bem estar e na evolução delas. Cuidar da vida das pessoas é diferente: é se interessar pelo que ela faz ou deixa de fazer; é se interessar pelo que ela tem, compra ou conquista; é querer saber onde ela está, para onde vai ou deixa de ir; e pior, compartilhar estas informações com outras pessoas. Com qual intenção? Não posso julgar, mas não acredito que seja o interesse pelo bem estar e pela evolução delas.

A minha reflexão tem sido esta: O quanto estou “cuidando das pessoas” e o quanto estou “cuidando da vida das pessoas”?


E não se esqueça, não vale apenas para líderes, vale para todos nós.