domingo, 1 de novembro de 2009

O deslocamento da identidade cultural


Durante o meu mestrado, quando eu estava cursando uma disciplina sobre formação de formadores, tive que ler um livro chamado “A identidade cultural na pós-modernidade”. É um livro fascinante que fala sobre a mudança de perspectiva das pessoas sobre sua identidade cultural. Basicamente o livro mostra a evolução da busca do ser humano pela sua identidade cultural, lembrando que há muitos anos atrás, nos definíamos pela nossa vila, ou pela nossa cidade e mais tarde pelo nosso pais. Porém, com a globalização, principalmente nos meios de comunicação e na internet, nossa identidade cultural deixou de ser através de nosso local de nascimento e passou a se construir através das coisas que nos identificamos. Não importa se é um lugar, um estilo de vida, seguidores de um time, uma pessoa ou religião. A verdade é que nossa identidade agora é multicultural e globalizada.

Mas porque estou falando este assunto? Um mês atrás, quando ainda estava no Brasil, precisei tirar uma segunda via da minha certidão de nascimento, o que só pode ser feito no cartório que você foi registrado. Aproveitando um tempo livre, fui até o cartório do Brás (onde fui registrado) e fiquei um pouco incomodado: Devia ter umas 30 pessoas lá dentro, sendo uns 15 descendentes de bolivianos, uns 10 descendentes de coreanos e apenas uns 5 brasileiros, contando comigo. É claro que quanto mais pessoas, mais iria demorar para eu ser atendido e, diante deste cenário minha primeira reação foi a seguinte: “O que este bando de coreanos e bolivianos estão fazendo no meu país?”

Um mês depois, embarquei para Londres, onde estou vivendo agora, e percebi o quanto esta cidade é, assim como São Paulo, multicultural. Porém, se em São Paulo encontramos pessoas de 20 países, aqui encontramos facilmente de 40 ou 50 países diferentes. Desde coreanos e mongóis, lá da Ásia, até brasileiros e colombianos, lá da America do Sul. O que eu pude perceber? Que apesar de Londres ser uma cidade de portas abertas para povos de todas as origens, os britânico (ou londrinos talvez) em geral não gostam muito de não europeus. As vezes chegam a ser mal educados com quem é de fora ou quem não fala muito bem a língua. Diante de uma situação destas eu pensei: Nossa, que povo mal-educado. Estamos aqui gastando nosso dinheiro no país deles e eles ainda nos tratam mal?

Conclusão, quando eu estava no “meu” país, não gostei de ter outros povos por lá, e agora que eu estou em outro país, não gostei de alguém daqui não ter gostado de eu estar aqui. Um pouco confuso, mas foi exatamente isso que aconteceu. Por fim, o que posso compartilhar como aprendizado disso tudo e voltando a me referir à parte inicial do post, temos que mudar nossa visão de identidade cultural e principalmente de tolerância. Não podemos colocar barreiras para pessoas de outros povos ou culturas, tão pouco julgá-los por onde estão. Temos que nos acostumar que, com a globalização, as pessoas buscarão estar onde se identificam, onde estejam bem, onde se sintam felizes, não importa se no meio da Ásia ou no extremo sul da America do Sul.

Afinal, o planeta é de todos nós.

domingo, 25 de outubro de 2009

Como é bom poder confiar

Finalmente aconteceu. Depois de quase três anos planejando uma viagem, no dia 23/10/2009 embarquei para Londres onde ficarei por cerca de quatro meses. Durante estes três anos que antecederam esta viagem, quando eu comentava com as pessoas sobre o período que ficaria fora, dentre várias perguntas duas delas sempre acabavam por surgir:

  1. O que você vai fazer lá?
  2. E a Cadsoft? Como vai ser?

A resposta da primeira pergunta era sempre a mesma: “Um breve sabático com imersão na língua inglesa.”.

Mas eu sempre fugi da segunda resposta. Era evasivo, nunca dava detalhes e “enrolava”, até conseguir trocar de assunto. Mas porque? Porque eu queria falar sobre isso somente agora.

Esta pergunta sempre vinha acompanhada de dois vieses. Um deles era a dúvida se eu voltaria para a Cadsoft. Bom, a resposta é simples: Claro! Amo o que faço, compartilho de uma ideologia única e mais importante do que tudo, sou apaixonado pelas pessoas que formam esta comunidade.

O outro viés era o seguinte: “E como a Cadsoft vai ficar neste período, já que você tem uma posição de liderança?” Resposta mais simples ainda: Confiança!

A Cadsoft é formada por pessoas que compartilham valores, que se comprometeram com uma causa e que sabem claramente qual a nossa estratégia. Conta também com um time de líderes que, além de estar em constante evolução, é muito competente. E claro, tem o seu maestro, já que todo orquestra precisa de um. Fácil de entender porque confiança?

Vou ter saudade, mas aquela saudade boa, de quem quer muito voltar. Voltar porque a cada dia “descubro e conquisto” novos amigos na Cadsoft. A cada dia eles me “entregam” interesse e me “surpreendem” com o cuidado. Aliás, “cuidado que me fideliza” e me obriga a cada dia melhorar, me “criar”, me recriar e sempre me “modernizar” porque a “evolução” é necessária, sempre em busca da “consolidação”, seja do caráter ou das relações. Cada pessoa que faz parte desta comunidade é o seu “sustento” e é impossível “imaginar” uma Cadsoft sem se “desenvolver e sem cuidar” de cada um de nós.


Até breve Cadsoft!


sábado, 26 de setembro de 2009

Marmelada não era para ser doce?


Pouca vezes na minha vida senti vergonha de ser brasileiro. Em todas que senti foi muito ruim porque desde que sou muito pequeno me lembro de meus pais me ensinarem a seguinte ordem de importância das coisas: Deus, Pátria e Família. Seguindo esta lógica eu preciso acreditar em um Deus (seja ele qual for, mesmo que uma força maior), amar e cuidar da minha pátria para então poder constituir e cuidar de minha família.

Voltando ao tema central deste post, senti vergonha de ser brasileiro ao saber da “marmelada” na Fórmula 1. Sou apaixonado por esporte e amante passional de Fórmula 1. Assim como em qualquer tema de nossa vida acredito que no esporte precisamos de integridade e ética. Muitos falaram sobre a pressão que o Nelson estava sofrendo, que no lugar dele poderiam agir assim e que não deveríamos julgá-lo. Mas isso me parece proteção da imprensa só porque ele é brasileiro. Por muito menos “destruíram” o Schumacher (quando ele passou o Rubinho no último segundo da prova, por ordem da Ferrari).

Isso me faz pensar no problema central do Brasil: passividade. No Brasil temos o péssimo hábito de encontrar desculpas verdadeiras para falta de ética, de justiça e de caráter. E parece que neste episódio estamos fazendo isso de novo. Amanhã o fantástico vai veicular uma entrevista do Reginaldo Leme com o Nelson Piquet “pai”. Gostaria muito de acreditar que ele vai dizer, com todas as letras, que o filho errou e que merece pagar pelo erro. Porém tenho a impressão de que ele vai dizer que o filho errou, mas que era muita pressão para um “garoto” de 24 anos e que não sabia bem o que fazia. Bom, então ele não deveria estar dirigindo um carro que pode chegar a 300 km/h e colocar em risco a vida de mais 19 pilotos.

Para o Nelson “filho” desejo compaixão, porque infelizmente não acredito que ele vai aprender o que precisa, já que não vai pagar pelo seu erro.

Para o Nelson “pai” deixo uma pergunta: Porque este assunto só veio a tona depois que seu filho foi demitido da equipe?

Para os brasileiros que amam nossa pátria desejo consciência. E fé!


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sobre Competência e Atitude


Na Cadsoft trabalhamos muito o desenvolvimento das competências das pessoas. Isso faz parte da nossa cultura. Este desenvolvimento se dá através de varias formas, mas o balizador para avaliação da evolução de cada pessoa é uma metodologia chamada CHA. Esta metodologia define que a competência é formada por três conceitos: Conhecimentos, Habilidades e Atitudes. Conhecimento significa “Saber” (conhecimentos adquiridos no decorrer da vida, nas escolas, universidades, cursos etc). Habilidade significa “Saber fazer” (todo o conhecimento que praticamos aperfeiçoado à habilidade). Atitude significa “Querer fazer” (comportamentos que temos diante de situações do nosso cotidiano e das tarefas que desenvolvemos no nosso dia-a-dia). Desta forma, uma pessoa com muito conhecimento mas sem a atitude necessária para colocar este conhecimento em prática, ou sem a habilidade necessária para utilizar este conhecimento, não tem a competência completa.

Um tempo atrás estava conversando com o Prof. Calixto (meu pai) sobre esta metodologia. Falávamos sobre o que era mais importante entre as três letras (C.H.A.). Estávamos com uma divergência sobre o assunto e acabamos não terminando nossa conversa e com isso não chegamos a uma conclusão.

Semana passada recebi da Marina (amiga e colaboradora da Cadsoft ) um artigo muito interessante com o seguinte título: “The hierarchy of success – A hierarquia do Sucesso”. Neste artigo o autor inicia a explicação do ultimo nível da hierarquia (execução) até o primeiro nível (atitude). A idéia é muito interessante e, após muita reflexão, experiências vividas e leituras de textos, livros e blogs, cheguei a conclusão que a atitude é, em minha opinião, a letra mais importante. A atitude possibilita o ser humano a ir atrás dos conhecimentos e das habilidades que lhe faltam para atingir um objetivo.

Ponto para o Prof. Calixto (mais um, claro) que desde o início da nossa conversa defendeu que a atitude era a mais importante das letras!

Para finalizar compartilho uma citação de Martin Luther King que entendo ser sobre a evolução de competência: “..não somos o que deveríamos ser, não somos o que iremos ser, mas graças a Deus não somos o que éramos.."

Boa semana e “Boas Atitudes”!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Inteligência e Maturidade

Há algumas semanas eu estava conversando com o Alexandre da Cadsoft, amigo e líder do processo de trabalho que chamamos de “Descobrir e Conquistar”. Estávamos discutindo sobre inteligência e maturidade. Como é bom trabalhar com pessoas inteligentes, mesmo que ainda imaturas. Imaturidade neste contexto estava esta relacionada principalmente com a falta de experiência. Falávamos que é melhor ter pessoas muito inteligentes e imaturas do que pessoas maduras mas que não fazem o uso adequado de suas inteligências para solucionar todos os “problemas” que precisamos administrar diariamente.

Esse papo me fez lembrar uma lição que tive, há uns 5 anos atrás, quando estava em uma reunião com o gerente de planejamento de um cliente que atendo em São Paulo. Nós estávamos conversando sobre a dificuldade que estávamos tendo em um projeto e um dos motivos que eu apontei foi a velocidade (muito acelerada) que uma das pessoas que estava a frente do projeto impunha para toda a equipe. E ele me disse, com toda a tranqüilidade que lhe era peculiar: “Daniel, eu prefiro trabalhar com pessoas que eu precise segurar do que com pessoas que eu precise empurrar”. Engoli seco, refleti, dei razão a ele e fomos para o próximo tópico da reunião.

Voltando ao papo com o Alexandre, concluímos que realmente a lição acima é valiosa. Como é bom trabalhar com pessoas inteligentes e que temos que segurar (ajudar a controlar o ímpeto que ainda não é administrado pela falta de experiência) do que pessoas que temos que ficar o tempo todo empurrando.

A nossa conclusão final foi sobre a importância de escolher adequadamente as pessoas e suas inteligências necessárias para desempenhar cada atividade da nossa empresa.