No último post que escrevi falei sobre como deveriam ser os programas assistenciais do governo, em minha concepção. Basicamente acredito em um ciclo virtuoso que inicia no atendimento das necessidades básicas do indivíduo, passa pela educação e profissionalização dele para que, em seguida, o mesmo possa exercer sua cidadania e lutar, inicialmente, pela sua sobrevivência (e de sua família) e posteriormente pelo seu crescimento e emancipação.
Na semana passada, logo após ter escrito este post, a Katy, uma amiga e colaboradora da Cadsoft, me procurou para comentar sobre o texto. Durante o papo ela lembrou de uma palestra do Roberto Tranjan, consultor, educador e autor que criou o modelo de gestão que escolhemos para nossa empresa. Nesta palestra o Roberto falou sobre sua experiência como consultor de empresas por mais de 10 anos e da sua frustração nesta atividade. Sempre que ele desenvolvia um trabalho de consultoria, as coisas na empresa-cliente se encaixavam e tomavam um rumo adequado. Porém, depois de algum tempo (meses ou anos, dependendo do caso) os líderes costumavam chamá-lo de volta para ajudá-los a colocar suas empresas novamente no lugar e, quando ele chegava, percebia que os problemas eram, em sua maioria, os mesmos que ele havia ajudado a corrigir em sua primeira passagem. Depois de muito se frustrar ele decidiu abandonar o trabalho de consultor e criou uma empresa de educação para negócios. Hoje sua principal atividade é educar lideres para liderarem suas empresas, sem que precisem de uma “consultoria” para colocar a empresa no rumo, de tempos em tempos.
A Katy lembrou desta história porque ela fez um link muito interessante entre essa experiência do Roberto e o último post que escrevi. Em sua percepção, no âmago da questão, os problemas relatados são os mesmo, pois em ambos os casos alguém de fora (seja um consultor ou seja o governo) ajuda, mas não ensina, criando um ciclo de dependência contínua.
Como este post de hoje é voltado para o tema liderança, baseado nesta conexão que foi relatada acima eu reflito: Quantas vezes, enquanto líderes, nos apoiamos em muletas, desculpas ou “consultores” para exercerem a nossa função, terceirizando nossa responsabilidade assumida perante outras pessoas e convencendo-nos de que é o melhor caminho?
Consultores devem ser contratados para nos ensinar algo que não sabemos. Assim que terminam seu trabalho de educação devem ser avaliados pela falta que não vão fazer em nossa empresa.
Mas, se você prefere andar de muleta...
