domingo, 7 de dezembro de 2008

Felicidade e os pequenos grandes momentos

Ontem estava lendo um livro chamado “A cidade do sol”. Ele conta, através da história de vida de algumas personagens, a cultura, religião, guerras, crenças e mazelas do Afeganistão, entre 1960 e os dias de hoje. A leitura é pouco dura para nós ocidentais, que não estamos acostumados, principalmente, ao tratamento que é dado às mulheres naquele país. Durante a leitura comecei a refletir o que era felicidade para aquele povo, aquelas mulheres, aquelas crianças. A felicidade deles, segundo relatado no livro, era continuar vivo. Se fossem atacados por um míssil ou pisassem numa mina, a felicidade era perder apenas uma perna, para poder ter a outra como apoio. No caso das mulheres, felicidade era, por volta dos 15 anos, ser “escolhida” por alguém (geralmente muito mais velho e que sequer conhecia) para se casar, servi-lo, ser mãe de seus filhos e torcer para que não fosse maltratada. E então a história se repete. Para os meninos, o ideal era ser um soldado ou um mujahedin para lutar em algum jihad, e talvez se tornar um mártir. Mesmo assim, as famílias relatadas na estória são felizes. São unidas, se amam, amam a um Deus e oram diariamente para ele. Mesmo com toda esta realidade, eles conseguem ser felizes! Lutam, oram e amam em busca de dias melhores, claro, mas sem esmorecer. 
Diante desta estória, fiquei pensando o quanto não damos valor para pequenos momentos, pequenas conquistas em nosso dia a dia, que as vezes nos parecem banais.Não sabemos valorizar momentos de união com nossos amigos, nossa família, nossos namorados e cônjuges e estamos sempre em busca da “grande felicidade”, mas não percebemos quando estamos diante de um pequeno momento feliz. Se este povo afegão, que sofreu tanto por tanto tempo, conseguiu encontrar felicidade em pequenos atos e pequenos momentos, porque não conseguimos também?

Concluindo, acredito que “Felicidade” são pequenos grandes momentos repletos de atos de amor que nos rodeiam todos os dias de nossas vidas. Basta ter olhos para enxergá-los.

2 comentários:

Anônimo disse...

Parece um livro interessante, é sempre bom conhecer outras culturas e desmistificar algumas coisas que sabemos apenas superficialmente, e ainda outras que nem mesmo são verdade.

Este post, para mim, complementa os posts onde você fala de kairós, estes pequenos grandes momentos citados no post são kairós tambem. Essa percepção reforça a questão de que felicidade é "ser" e não "estar". Se você é feliz, você o é por identificar os kairós em todos os momentos de felicidade, mesmo nos momentos do cotidiano que parecem "menores". Reunir-se com os amigos num bar, almoçar com a família, ter um dia de trabalho pleno e gerador de verdadeira riqueza. Estes são exemplos de kairós que, muitas vezes, perdemos a oportunidade de perceber. São momentos divinos, tempo que estamos felizes por não fazer nada mais do que o comum, ou seja, estes momentos cotidianos e felizes que ajudam a compor o que somos nos definem como seres que somos, felizes.

Parabens por mais este post.

Daniel Antonucci disse...

Obrigado pelos seus comentários.

Você tocou num ponto muito importante, que eu não havia explorado. Muitas vezes a felicidade e os momentos kairós estão simplesmente no "comum" do nosso dia a dia, e muitas vezes não enxergamos. Se abrirmos os olhos para cada momento de nosso dia, por mais comum que ele possa parecer, poderemos enxergar momentos de felicidade que ainda não tínhamos percebido, tão perto de nós.