Este ano, um dos palestrantes foi o Prof. Carbonari, que fundou uma faculdade em LEME, em 1994 e foi o primeiro empresário brasileiro a fazer o IPO (venda de ações em bolsa) na área de educação. Hoje ele é presidente da Anhanguera Educacional. A palestra foi muito rica, desmistificando várias "verdades absolutas" sobre abertura de capital de uma instituição de ensino e quebrando alguns paradigmas das alas mais conservadoras.
Porém, o que me levou a escrever sobre a palestra dele foi principalmente o conceito que está no título deste post. Por diversas vezes o Prof. Carbonari utilizou a palavra hipocrisia para classificar algumas atitudes e pensamentos de pessoas ligadas a área de educação e, principalmente, aos críticos do seu modelo de gestão. Em certo momento da palestra, ele enfatizou a palavra e fez questão de defini-la sob sua ótica, e disse claramente: Hipocrisia é a nossa pretensão à virtuosidade. E isso ficou martelando na minha cabeça.
Pesquisando mais sobre a palavra hipocrisia, descobri que é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui (wikipedia), ou a manifestação de virtudes ou sentimentos que realmente não se tem (priberam).
Fazendo um link destas duas definições com a definição do Prof. Carbonari, conclui que a hipocrisia é uma espécie de desalinhamento. É quando falamos e pensamos de uma forma, mas agimos de outra. Ou quando pensamos de uma forma e na verdade falamos ou agimos de outra. É quando estamos desalinhados entre o que realmente sentimos, na camada mais profunda do nosso consciente, mas mostramos outra coisa para o mundo, para transparecer algo diferente do que realmente somos.
Mais pra frente vou falar um pouco mais de desalinhamento, porém no conceito do autor e educador Roberto Tranjan, que tem explorado muito este tema, principalmente em seu último livro, Rico de Verdade.

2 comentários:
Daniel,
Eu nunca havia parado para pensar no significado da palavra hipocrisia, mas ela sempre me remeteu a um "ato do mal", e as pessoas que agem dessa forma estão bem conscientes do que estão fazendo (e sabem que é errado). Por exemplo, um político hipócrita manifesta virtudes contraditórias com suas ações.
Não conheço muito bem o conceito de desalinhamento da forma que o Tranjan coloca, mas pelo pouco que li, tive a impressão (não sei se certa) que o desalinhamento é algo bem mais "suave" que a hipocrisia. Apesar de, no fundo, os conceitos serem bem semelhantes, a pessoa com desalinhamento pode estar agindo dessa forma às vezes sem perceber. Inclusive fiquei pensando que todos nós podemos estar desalinhados em relação a certos "temas" da nossa vida a todo instante, e temos que prestar atenção para mudarmos isso.
Por exemplo, eu sou mãe, com a grande responsabilidade de educar, e tenho que me policiar sempre para que minhas palavras estejam alinhadas ao meu comportamento. Mesmo porque, hoje com 3 anos, minha filha pergunta MUITO sobre todas as coisas (eu escuto a expressão "por que?" umas 40 vezes ao dia). Além de perguntar, ela observa muito e IMITA absolutamente tudo o que fazemos. Imagina a confusão que vou causar se eu mostrar desalinhamento para cada assunto que ela perguntar?
Obrigada pela reflexão que seu post me fez ter!
Abraços,
Fabiana
Fabiana,
Não parei para refletir sobre a profundidade do termo hipocrisia e do conceito de desalinhamento do Roberto Tranjan, mas creio que você possa ter razão, e vou pensar sobre isso.
Pensando superficialmente, acredito que a diferença possa estar na consciência, ou seja, o hipócrita tem consciência que age diferente do que pensa ou do que fala e o desalinhado não.
O exemplo que você coloca com sua filha é muito relevante, e levando seu exemplo para o aspecto mais amplo, acredito que as pessoas se espelham em seus ícones, sejam eles políticos, artistas, atletas, líderes e por isso estes devem ter a mesma responsabilidade que um pai, ao educar o seu filho.
Obrigado pela contribuição,
Abraços,
Daniel
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