segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ensaio sobre o Preconceito e a Tolerância

Inicio a temporada de 2009 com um texto sobre Preconceito e Tolerância. Por ser um assunto extenso e complexo, chamei o post de “ensaio”. Acredito que, como seres humanos somos suscetíveis a erros, e por isso todos nós temos alguns preconceitos. Os preconceitos, em minha visão, podem ter várias origens e destaco aqui as que acredito terem maior relevância:
  • Nossa educação, formal e informal (na escola, em casa, na igreja)
  • Enraizadas em nossa sociedade e em nossa cultura (pátria, comunidade, “tribos”)
  • Experiências que vivemos ao longo da nossa vida
  • E também, por medo!
Nestas férias passei por algumas situações em que fui confrontado com alguns preconceitos que possuo e decidi me aprofundar na raiz destes preconceitos. Como acredito que vivemos para contribuir e evoluir, não aceitei as duas primeiras origens, educação e cultura, como causa de meus preconceitos, e busquei classificá-los nas duas últimas origens: Experiências e Medo. O interessante foi que, quanto mais me aprofundava em minhas reflexões, mais eu percebia que quase não havia vivenciado experiências relacionadas aos meus preconceitos, logo, sobrava-me apenas o medo.  

Diante disto percebi que podemos exercer, inconscientemente, um ciclo muito perigoso: Em geral, temos medo daquilo que não conhecemos. Se não conhecemos, pressupomos. Pressuposições erradas nos levam a uma realidade distorcida e por fim, a realidade distorcida nos desperta o preconceito. Conclui que meus preconceitos, em sua maioria, tinham raiz no medo e decidi confrontá-los através da tolerância.

Encaro a tolerância como a capacidade do ser humano de entender, respeitar e conviver com escolhas, atitudes e formas de expressão diversas que existem em nosso mundo. Não me obrigo a participar ou gostar de toda esta diversidade, mas não devo hostilizar, denegrir ou tão pouco satirizar qualquer escolha, atitude ou forma de expressão. 

Inicio o ano de 2009 mais tolerante, pois é através da tolerância que podemos nos dar a chance de entender e respeitar a todos em nossa volta, enfrentando e vencendo nossos medos e preconceitos. 

3 comentários:

Rubens L. Rampelotti disse...

Oi Daniel. Minha primeira participação aqui.
Interessante seu ponto de vista sobre tolerância, e, que bom que você conseguiu isolar os três primeiros itens, talvez por não sofrer o terceiro, talvez por ter a felicidade de ter nascido e vivido em um país que, apesar de racista (talvez o exemplo mais simples de preconceito), mesmo assim tem convivência pacífica entre os diversos grupos, ou talvez porque você já tem dentro de si uma boa índole que o permitiu filtrar. Evoluir é sem dúvida nosso papel, mas nossos ´filtros´ do mundo são montados durante nossa existência, e é necessário estar atento ao preconceito presente nos grupos para não se deixar contaminar, e deixar de ver o que pode ser um preconceito.
A Tolerância, neste caso, pode ser difícil de exercer, porque, se vc está em um grupo onde existem tendências a preconceitos (família, por exemplo), tolerar este comportamento é certo ou é errado? Devemos aceitar, por exemplo, piadas relacionadas a outras raças, outros grupos, por tolerância, ou vale a pena, agirmos com cuidado, mas de maneira a contribuir, como você mesmo escreve, para reduzir o próprio preconceito do grupo, e porque não, reforçar nossas crenças?
Um belo exemplo sobre isto, e também relacionado ao seu post do dia 7 de dezembro, existe um livro de título ´Infiel´, que relata a vida de uma mulher (Ayaan Hirsi Ali, por ela mesma) criada sob condições, preconceitos e atos os mais terríveis, e mesmo assim, teve grande importância ao seu povo, e conseguiu escrever, com visão positiva (mesmo!), tudo o que sofreu de seus familiares, seu povo e de governos onde viveu.
É um excelente exemplo de tolerância e contribuição.

Tenho certeza que você não quer, em seu texto, considerar o não agir como uma opção, mas reforço aqui que, apenas aceitar nem sempre é uma boa opção, pois a evolução vem exatamente disto: pessoas que não aceitam as coisas como são ou estão, e contribuem para sua melhora, mesmo quando estas ações podem não ser tão ´populares´ para determinados grupos, mas desde que sejam baseadas em justiça, igualdade e bons valores.

Então, acho muito importante sermos tolerantes, mas não podemos perder nossa visão crítica, e jamais deixar de contribuir para a redução dos preconceitos.

Grande abraço, Rubens

Daniel Antonucci disse...

Rubens,

Agradeço muito suas palavras. Me ajudaram a refletir ainda mais sobre o tema.
Realmente não tive a intenção de considerar o não agir como forma de tolerância, mas concordo que deixei margens para esta interpretação. De qualquer forma acredito que tenhamos que enxergar as pessoas e as suas manifestações com o olhar delas e não com os nossos. Muitas vezes, o nosso olhar é embassado pelos quatro motivos que coloquei e que nos levam ao preconceito. Essa foi minha real intenção e isso que venho tentando fazer: enxergar com os olhos de quem esta na situação e, à luz desta experiência avaliar sob a ótica dos meus valores.
É, no mínimo, desafiador.

Abraços,
Daniel

Rubens L. Rampelotti disse...

Daniel, com certeza, se todos exercitássemos um pouco mais o ´ver com os olhos dos outros´, o mundo seria um lugar bem melhor, com mais tolerância, mais união, e sem dúvida, mais evoluído.
Mas amigo, isto é um grande desafio ... vamos exercitar e tentar suportar o que vamos ver, porque a comodidade nos força a olhar com os olhos do individualismo.

Grande abraço, Rubens