Inicio a temporada de 2009 com um texto sobre Preconceito e Tolerância. Por ser um assunto extenso e complexo, chamei o post de “ensaio”. Acredito que, como seres humanos somos suscetíveis a erros, e por isso todos nós temos alguns preconceitos. Os preconceitos, em minha visão, podem ter várias origens e destaco aqui as que acredito terem maior relevância:
- Nossa educação, formal e informal (na escola, em casa, na igreja)
- Enraizadas em nossa sociedade e em nossa cultura (pátria, comunidade, “tribos”)
- Experiências que vivemos ao longo da nossa vida
- E também, por medo!
Nestas férias passei por algumas situações em que fui confrontado com alguns preconceitos que possuo e decidi me aprofundar na raiz destes preconceitos. Como acredito que vivemos para contribuir e evoluir, não aceitei as duas primeiras origens, educação e cultura, como causa de meus preconceitos, e busquei classificá-los nas duas últimas origens: Experiências e Medo. O interessante foi que, quanto mais me aprofundava em minhas reflexões, mais eu percebia que quase não havia vivenciado experiências relacionadas aos meus preconceitos, logo, sobrava-me apenas o medo.
Diante disto percebi que podemos exercer, inconscientemente, um ciclo muito perigoso: Em geral, temos medo daquilo que não conhecemos. Se não conhecemos, pressupomos. Pressuposições erradas nos levam a uma realidade distorcida e por fim, a realidade distorcida nos desperta o preconceito. Conclui que meus preconceitos, em sua maioria, tinham raiz no medo e decidi confrontá-los através da tolerância.
Encaro a tolerância como a capacidade do ser humano de entender, respeitar e conviver com escolhas, atitudes e formas de expressão diversas que existem em nosso mundo. Não me obrigo a participar ou gostar de toda esta diversidade, mas não devo hostilizar, denegrir ou tão pouco satirizar qualquer escolha, atitude ou forma de expressão.
Inicio o ano de 2009 mais tolerante, pois é através da tolerância que podemos nos dar a chance de entender e respeitar a todos em nossa volta, enfrentando e vencendo nossos medos e preconceitos.

3 comentários:
Oi Daniel. Minha primeira participação aqui.
Interessante seu ponto de vista sobre tolerância, e, que bom que você conseguiu isolar os três primeiros itens, talvez por não sofrer o terceiro, talvez por ter a felicidade de ter nascido e vivido em um país que, apesar de racista (talvez o exemplo mais simples de preconceito), mesmo assim tem convivência pacífica entre os diversos grupos, ou talvez porque você já tem dentro de si uma boa índole que o permitiu filtrar. Evoluir é sem dúvida nosso papel, mas nossos ´filtros´ do mundo são montados durante nossa existência, e é necessário estar atento ao preconceito presente nos grupos para não se deixar contaminar, e deixar de ver o que pode ser um preconceito.
A Tolerância, neste caso, pode ser difícil de exercer, porque, se vc está em um grupo onde existem tendências a preconceitos (família, por exemplo), tolerar este comportamento é certo ou é errado? Devemos aceitar, por exemplo, piadas relacionadas a outras raças, outros grupos, por tolerância, ou vale a pena, agirmos com cuidado, mas de maneira a contribuir, como você mesmo escreve, para reduzir o próprio preconceito do grupo, e porque não, reforçar nossas crenças?
Um belo exemplo sobre isto, e também relacionado ao seu post do dia 7 de dezembro, existe um livro de título ´Infiel´, que relata a vida de uma mulher (Ayaan Hirsi Ali, por ela mesma) criada sob condições, preconceitos e atos os mais terríveis, e mesmo assim, teve grande importância ao seu povo, e conseguiu escrever, com visão positiva (mesmo!), tudo o que sofreu de seus familiares, seu povo e de governos onde viveu.
É um excelente exemplo de tolerância e contribuição.
Tenho certeza que você não quer, em seu texto, considerar o não agir como uma opção, mas reforço aqui que, apenas aceitar nem sempre é uma boa opção, pois a evolução vem exatamente disto: pessoas que não aceitam as coisas como são ou estão, e contribuem para sua melhora, mesmo quando estas ações podem não ser tão ´populares´ para determinados grupos, mas desde que sejam baseadas em justiça, igualdade e bons valores.
Então, acho muito importante sermos tolerantes, mas não podemos perder nossa visão crítica, e jamais deixar de contribuir para a redução dos preconceitos.
Grande abraço, Rubens
Rubens,
Agradeço muito suas palavras. Me ajudaram a refletir ainda mais sobre o tema.
Realmente não tive a intenção de considerar o não agir como forma de tolerância, mas concordo que deixei margens para esta interpretação. De qualquer forma acredito que tenhamos que enxergar as pessoas e as suas manifestações com o olhar delas e não com os nossos. Muitas vezes, o nosso olhar é embassado pelos quatro motivos que coloquei e que nos levam ao preconceito. Essa foi minha real intenção e isso que venho tentando fazer: enxergar com os olhos de quem esta na situação e, à luz desta experiência avaliar sob a ótica dos meus valores.
É, no mínimo, desafiador.
Abraços,
Daniel
Daniel, com certeza, se todos exercitássemos um pouco mais o ´ver com os olhos dos outros´, o mundo seria um lugar bem melhor, com mais tolerância, mais união, e sem dúvida, mais evoluído.
Mas amigo, isto é um grande desafio ... vamos exercitar e tentar suportar o que vamos ver, porque a comodidade nos força a olhar com os olhos do individualismo.
Grande abraço, Rubens
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