
Hoje em dia muito tem se falado sobre o papel e as responsabilidades de um líder. James Hunter iniciou este novo ciclo de papeis de liderança com o livro “O monge e o executivo”. Já falei neste blog sobre o livro do Pe. Zezinho que escreveu um livro chamado “O Líder Amoroso” e conheço de perto a obra do Roberto Tranjan que acredita no papel do Líder como educador de pessoas. Todas estas características, e outras que são estudadas e seguem a linha humanista, têm seus valores e ideais relacionados à celebração do ser humano. É o oposto da linha industrial, onde o homem é visto e tratado como meio para algum fim. Com esta nova visão as preocupações, o olhar e os cuidados do líder passam a ser mais focados nas pessoas do que nas “coisas”. E como poderia ser diferente?
O termo cuidar nos remete a várias imagens e uma delas, que sempre transita em minha mente, é a imagem do interesse. Quando cuidamos de alguém é porque temos um real interesse naquela pessoa. Nos importamos com o que acontece com ela, nos importamos com seu bem estar, com sua felicidade, com sua tristeza e sempre que podemos estendemos a mão para ajudá-la. Se eu pudesse “juntaria” as intenções por trás das obras que citei acima e falaria do “Líder Cuidador”, pois ele serve, ama e educa.
Mas existe uma linha muito tênue, que esta ligada ao titulo deste post, que separa o “cuidar da pessoa” com o “cuidar da vida da pessoa”. E creio que muitas vezes caímos nesta armadilha. Como já disse antes, cuidar de pessoas é despertar por elas um interesse real, com uma boa intenção, com altruísmo e pensando apenas no bem estar e na evolução delas. Cuidar da vida das pessoas é diferente: é se interessar pelo que ela faz ou deixa de fazer; é se interessar pelo que ela tem, compra ou conquista; é querer saber onde ela está, para onde vai ou deixa de ir; e pior, compartilhar estas informações com outras pessoas. Com qual intenção? Não posso julgar, mas não acredito que seja o interesse pelo bem estar e pela evolução delas.
A minha reflexão tem sido esta: O quanto estou “cuidando das pessoas” e o quanto estou “cuidando da vida das pessoas”?
E não se esqueça, não vale apenas para líderes, vale para todos nós.

2 comentários:
Dan, muito interessante o que colocou sobre a tenue linha entre os dois cuidados. Estamos próximos do dia das mães e as mães são um exemplo claro desta tenue linha. Por tanto amor, por tanto cuidado, por diversas vezes elas deixam de cuidar do filho, para cuidar da vida do filho. Passei por uma experiência desta neste final de semana e percebi (também como pai) como é fácil transpor esta linha. Indenpendente da posição, pais, mães, lideres, familiares, vale a pena ficar extremamente atento a isto.
Abraços
Dan, ADOREI esse texto.
Esses dias venho conversado muito com amigos mais próximos sobre o fato de termos pessoas cuidando demais da nossa vida e até brinco (com um fundo de verdade) que de alguma forma, contribuimos para a vida vazia de alguma delas.
Mas, minha maior preocupação é que esse cuidado desvirtue.
Excelênte texto mesmo.
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