segunda-feira, 11 de maio de 2009

Só funcionamos no chicote?


Semana passada eu estava em BH, a bela capital mineira, no hotel que costumo me hospedar. Era por volta de 19h e resolvi ir até a farmácia a pé, para apreciar a noite. A certa altura da minha caminhada me vi no cruzamento entre a Av. Amazonas (para quem não conhece, umas das principais avenidas de BH, que liga o centro da cidade até a saída para a Fernão Dias, rodovia que liga a cidade à capital paulista) e a R. Aimorés. Era um horário de transito pesado, como de costume nas grandes capitais, e o movimento era 
intenso. Porém, o que me chamou a atenção foi o fato das pessoas não respeitarem o cruzamento. Ao fechar o semáforo de quem estava na R. Aimorés, vários carros ficaram parados em cima da faixa de pedestres e tantos outros ficaram no meio da Av. Amazonas, travando o transito de quem, por direito (já que o semáforo havia ficado verde) deveria transitar por esta avenida sem grandes dificuldades. Claro, sem falar na orquestra ensurdecedora (e desafinada) promovida pelas mãos aflitas de diversos motoristas ao apertarem as buzinas de seus carros.

Estou acostumado a ver este tipo de situação, principalmente em São Paulo, mas naquele dia aquilo me incomodou muito: peguei o celular e registrei a cena através de uma foto. Continuei a minha caminhada até a farmácia

Quando estava retornando, 15 minutos depois, decidi seguir o mesmo caminho para verificar como estava o “caos” naquele mesmo cruzamento. Quase não acreditei quando constatei que não havia mais o “caos”. Os pedestres haviam readquirido seu direito de atravessar na faixa, as buzinas haviam cessado e não existia mais nenhum carro travando o cruzamento. Parei para avaliar a cena e então ouvi, um pouco abafado pelo som dos motores dos carros, um apito, como o de um juiz de futebol. Sim, era ele: o temido guarda de transito (temido pelas multas que aplica, claro). Em São Paulo chamamos ele de “marronzinho” por causa do uniforme da SPTrans. Em BH não sei como são denominados, mas tive certeza que são, da mesma forma, respeitados e temidos. Novamente peguei o celular e registrei a cena, porém, desta vez, mais incomodado ainda.

Continuei minha caminhada de volta ao hotel tentando aplicar aquele exemplo ao dia a dia de nossas empresas. Será que, da mesma forma que no trânsito somente funcionamos adequadamente com a presença de um guarda, em nossas empresas somente funcionamos com a presença dos “supervisores” (ou seriam os capatazes)? Logo me lembrei de quantas empresas mantém pessoas em seu quadro que tem como objetivo garantir que outras pessoas estejam trabalhando (alguma semelhança com o algoz de Chaplin em “Tempos Modernos” é somente coincidência...).

É assim mesmo que tem que ser? Precisamos de alguém supervisionando o que estamos fazendo para fazermos certo? Será que, como líderes, ao encorajar esta figura (do guarda, supervisor ou capataz) estamos agindo da maneira correta?

Pessoalmente, como líder, prefiro investir na expansão da consciência do que na supervisão das pessoas.



Um comentário:

Rodrigo Silva disse...

Daniel, assim como todos os outros, excelente texto e perfeita a analogia do cotidiano das pessoas com as relações de liderança nas empresas.
Faço uma ligação com seu post anterior. Talvez se as pessoas deixassem de cuidar da vida dos outros e começassem a realmente CUIDAR dos outros não teríamos esses exemplos deploráveis da famosa "lei de Gerson".
A maioria se irrita quando é prejudicada pelos mesmos atos de outras. Mas não têm o CUIDADO em não fazer coisas simples, como não fechar um cruzamento ou parar em fila dupla.
Porque será que isto ainda acontece já que todos sabem dos problemas que acabam causando? É mais fácil dizer q eu estou certo e outros errados né?